O BARULHO
– “És só barulho.

Foi com uma metáfora que ela escolheu sair de rompante, deixando o silêncio da luz do candeeiro que, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre a bruxulear, como se perdesse potência por um segundo, ou reservasse forças para mais logo. A ele – o jovem Henrique, ainda que já não tão jovem como antigamente – pareceu-lhe poético; pelo menos numa primeira análise.

Foi ao frigorífico, carregando o repugno nos passos, da sala até à cozinha, e abriu uma nova cerveja. A frescura do vidro de encontro ao sangue fervente a correr-lhe – possesso – nas veias, relembrou-o do que iniciou a discussão: o fim do Verão.