longitudes. (VII)

I
Num comboio que prossegue, inexorável,
Eu sou os olhos à janela.
O tempo estende-se, intemporal,
Como gaivotas vivas que alguém imortaliza num quadro;
São seres, primeiro, depois são V’s num céu azul.
Eu, contingente, observo o necessário:
A beleza que se perpetua;
Que chegou a mim, de outrora, e se manterá, depois do meu momento.
(Ou talvez não.)
Num comboio que prossegue, maleável,
Eu sou a maquinaria geradora.
O tempo sucede-se, limitado,
Como um poema pensado que alguém se dedica a escrever.
São ideias, primeiro, depois são letras num pedaço de papel.
Eu, necessário, observo o contingente:
A beleza que se cria;
Que nasceu de mim, do abstrato, e terminará, com o fim do meu momento.
O mundo tem 14 milhares de milhões de anos ou 14 segundos.
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