PEDRO NUNES



longitudes. (VII)

Num comboio que prossegue, inexorável,
Eu sou os olhos à janela.

O tempo estende-se, intemporal,
Como gaivotas vivas que alguém imortaliza num quadro;
São seres, primeiro, depois são V’s num céu azul.

Eu, contingente, observo o necessário:
A beleza que se perpetua;
Que chegou a mim, de outrora, e se manterá, depois do meu momento.

(Ou talvez não.)

Num comboio que prossegue, maleável,
Eu sou a maquinaria geradora.

O tempo sucede-se, limitado,
Como um poema pensado que alguém se dedica a escrever.
São ideias, primeiro, depois são letras num pedaço de papel.

Eu, necessário, observo o contingente:
A beleza que se cria;
Que nasceu de mim, do abstrato, e terminará, com o fim do meu momento.

O mundo tem 14 milhares de milhões de anos ou 14 segundos.